O garoto com cabeça de cachorro

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E lá estava a caixa de fósforos macro-espacial flutuando na hipocrisia.
E lá estavam alguns seres inúteis dentro dela.
E lá estava o garoto com cabeça de cachorro de pé, suando suas roupas baratas que pareciam caras enquanto seu umbigo empoçava suor de nervosismo.  E lá estavam os outros personagens sentados, com canetas caras que pareciam ainda mais caras em seus dedos delicados batendo no papel. A caneta ansiava em fingir escrever algo e o dedo em apontar, criticar, sobrepor e desdenhar.
Os personagens sentados eram: O homem com corpo de porco, o homem com cara de porco, o chipanzé maconheiro gordo com uma camisa pólo de marca e a mulher com língua em formato de pênis.
Assim que o garoto com cabeça de cachorro começou a latir todos os outros sentados começaram a apontar seus dedos para ele e criticar.
O homem com cabeça de porco começou a falar em uma língua desconhecida, onde poucas palavras podiam ser identificadas e estas, sempre eram fúteis. O único que as entendia era o homem com corpo de porco e esse se limitava em balançar sua cabeça humana. Na verdade, ele não concordava com o homem com cabeça de porco, mas como contra a ignorância não existem argumentos, ele se limitava em concordar.
O chipanzé maconheiro gordo começou a falar devagar, pois suas conexões neurais funcionavam de forma lenta, porém, dizia alguma coisa relevante. Queria impressionar os outros personagens sentados. Todos os personagens sentados queriam fazer isso na verdade, impressionar aos outros através do garoto com cabeça de cão. O propósito da coisa era isso. Havia vários garotos com cabeça de cão aguardando sua vez fora da caixa de fósforos macro-espacial e para um deles, seria dado um pedaço de osso com farta gordura. Gordura saborosa, mas que mata.
Por fim, a mulher com língua de pênis utilizava do seu poder de oratória para ganhar o respeito dos outros personagens machos ali sentados. Além de falar muito bem, nenhum outro personagem se sentia atraído sexualmente por ela por causa de sua língua e assim ela era tratada com igualdade ou semelhante respeito. Era o que ela queria. Era o que a frustrava.
O garoto com cabeça de cão ficou triste. Como todo bom cão que leva um chute quando quer agradar. Saiu daquela sala enquanto os outros personagens continuavam falando.
O garoto com cabeça de cão saiu da caixa de fósforos e foi até um lugar tranquilo, sentou-se em uma mesa grande, sozinho, e lá olhando para uma folha de papel em branco segurou suas orelhas peludas com firmeza e com um golpe arrancou sua cabeça de cão.
O que ficou no lugar foi um rosto belo e cru sorrindo para a folha branca. Nesta folha ele escreveu uma poesia e entregou para uma mulher linda. Ela lhe beijou até doer os lábios.
Os outros personagens continuam até hoje na caixa de fósforos macro-espacial tentando impressionar um ao outro. Mas... Como impressionar aquele que quer impressionar? Eles estão fadados as suas fantasias, aos seus jogos de hipocrisia até um dia descobrirem-se com câncer. Ou até o dia que não queiram mais se olhar no espelho. Ou até o dia em que descubram a existência de um mundo lindo fora do seu próprio umbigo suado.
E lá estava a caixa de fósforos macro-espacial flutuando na hipocrisia.
E lá estavam inúmeros seres inúteis dentro dela.
E lá estava o garoto com cabeça e coração humano beijando a mulher que ele amava.

Autoria de Tiago A. V.

Tiago André Vargas

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Pesadelo de camaleão é que tem só uma cor.

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