Recordação - Emily Brontë

by 18:16:00 1 comentários


Poema agudo de Emily Brontë, ao se lembrar da mãe e das duas irmãs mais velhas, então falecidas. Pela menção de "quinze dezembros", estima-se o tempo aproximado da triste recordação. Me agrada em especial a última estrofe do poema, a força do luto convertida na ação de abraçar o seu vazio até o ponto de não poder mais perceber o mundo incompleto.


Recordação


Gélido na terra – e a neve profunda empilhada alta acima de ti
Tão, tão distante, frio no lúgubre túmulo!
Será que esqueci, meu único amor, de amar-te,
Separado agora pelo aceno dilacerante do Tempo?…

Agora, quando só, meus pensamentos não mais pairarão
Sobre as montanhas, dessa costa ao norte,
Descansando suas asas onde as samambaias rodeiam
Teu nobre coração para sempre, cada vez mais?

Gélido na terra – e quinze dezembros selvagens,
Daquelas colinas marrons, se derreteram em primaveras:
Fiel mesmo é o espírito que lembra
Após tantos anos de turbulência e sofrimento!

Amor doce de juventude, perdoa-me se eu esquecer de ti,
Enquanto a maré do mundo está carregando-me junto:
Severos desejos e outras esperanças me envolvem,
Esperanças que obscurecem, mas não podem fazer-te mal!

Nenhuma luz tem iluminado meu céu;
Nenhuma manhã tem brilhado para mim:
Todo o bem da minha vida veio da vida que me deste,
Todo o bem da minha vida está no túmulo contigo.

Mas quando os dias de sonhos dourados desapareceram,
E até mesmo o Desespero era incapaz de destruir,
Então aprendi como a existência pode ser estimada,
Fortalecida, alimentada sem ajuda da alegria.

Então cessei minhas lágrimas de paixão inútil
Curei minha alma jovem de ansiar pela tua;
Severamente neguei-lhe o desejo ardente de correr
Para aquele túmulo que já é mais do que meu.

E, ainda assim, não ouso me deixar levar
Não ouso me entregar a dor extática da memória;
Após uma vez beber da angústia mais divina,
Como eu poderia buscar o mundo vazio de novo?




Emily Brontë

Aproveito para indicar este blog com poemas e textos das irmãs Brontë: Poesias Bronteanas.


Tiago André Vargas

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Pesadelo de camaleão é que tem só uma cor.

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