Crianças desaparecidas

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As lojas de conveniência não as penduram mais
Suas vitrines de inconveniência tão pouco
Papel A4 em colo de mãe sagaz
Faces belas pintadas com desdouro
Quem poderá as reconhecer?
Dentro de mentes de recortes morredouros
Somente quem as procura ou detém
A protetora e o louco
Porque para todos outros
Tampouco importa as crianças desaparecidas
Não é em nosso peito que reside esta agonia
Não somos nós que olhamos para a cama vazia
Que rezamos para santos sem nome todos os dias
Farejando com a alma qualquer vaga pista
De luto indeterminado e amputada alegria
Mas anuncie em qualquer parede uma promoção
Logo se agrupam todos parasitas
Veja como é fácil ter sua atenção
E as crianças nas paredes já não são desaparecidas
São esquecidas
Pelos mesmos homens trucidas
Que deixaram sua alma criança em uma esquina
E não são capazes de perceber que ainda as são, apenas crescidas
E todas choram sozinhas
As perdidas que não podem ser encontradas
Vítimas
As presentes que não podem ser tocadas
Pífias


Autoria de Tiago André Vargas

PS: Escrita depois de contemplar uma criança muito bem vestida olhando um cartaz de desaparecidos enquanto sua mãe olhava uma vitrine.
Fotografia de Marcin Jagiellicz.

Tiago André Vargas

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Pesadelo de camaleão é que tem só uma cor.

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