20 e poucos

by 22:17:00 0 comentários
Meus 20 e poucos anos
Retalhos em colcha fria
Olhos e dentes humanos
Presos em fotografia

E quem diria que a lógica se alojaria em finória aritmética
Que a contagem de outonos traria idônea alegoria
Que permitida seria a comparação poética
Da boçal contagem do tempo equivalente a própria vida

Pois neste interlúdio 20 foram anos
20 foram prantos
20 foram encantos
Nenhum fora engano

No entanto, sem espanto, avanço
Pensante no trágico destino das 20 e poucas cidades que passei
Tristes por não acompanhar meu taciturno olhar de ranço
Na visão caolha que nada existe sem se ver

O que dizer então dos 20 e poucos conhecidos
Definhados até os ossos pelo tempo
Esmiuçados se tornaram 2 amigos
Unidos pelos acontecimentos, fiéis pelos tormentos

E quanto as 20 e poucas mulheres que me ensinaram poesia
Despindo suas intempéries personalidades sobre a mesa
Desabrochando seus puídos sutiãs na cozinha
Desamparando seus segredos em minhas profundezas 
Apenas sei que não as quero ver com clareza
Pelo inexistente aficionado que jamais finda

Sem palavras aos meus 20 e poucos empregos
Todo funcionalismo impingido pela alma
Enquanto as avós se orgulham do neto bom sujeito
E as putas olham com pena, livres em suas calçadas
Carregado pelos sapatos pensando qual o maior despeito
Fingir prazer de pernas abertas olhando para o nada
Ou abortar os sonhos diariamente com chá de afeito

Saudade doce e amarga das minhas 20 e poucas lágrimas
Derramadas em tom de partida, em tom de chegada
Espargidas no primeiro e último dia de aula
Bem quando te vi como amada, tal qual te vi como o nada

No fim foram memoráveis dispersos 20 e poucos dias
Que fizeram a vida parecer doce em bandeja
Felicidades fermentadas em débil alegria
Para acreditarmos por mais 20 que tudo vale à pena

Autoria de Tiago André Vargas
Fotografia de Tamás Ambrits.

Tiago André Vargas

Developer

Pesadelo de camaleão é que tem só uma cor.

0 comentários:

Postar um comentário